domingo, 25 de julho de 2010

Êxtase

Coração vibrando em fogo raso. Sentia cócegas na garganta e engoliu. Aquele arrepio lento no antebraço era o carinho da Divindade. Viaja à própria alma, onde não há adjetivos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Alquimia Espacial

Sentidos arrebatados. Eis a pedra filosofal da alquimia espacial. Torna ferragem em lanças, ferrugem em glória. Lia um livro no ferro velho.

Luz Cega

Em êxtase foi tomada pela visão de seu filho. Eis que ele entra no quarto portando uma doce e calorosa luz nas palmas das mãos, como que servindo de bandeja. Luz tão forte que cega. Não pode brilhar nas ruas da cidade, nem nas catedrais. Somente nos corações daqueles que conhecem os mistérios. É um sol ao qual não se deve fitar. Oh, quem me dera tamanha luz; que a quantos ilumina condenas às trevas os neófitos! Era aquele o escolhido de deus. Não o deus de seus pais.

Custoso lhe fora aprender o caminho do Eremita. Era um Tolo tão jovem cheio das pérolas em sua aljava, caminhando em plena luz do dia. Decidira viajar de Chesed a Tiphareth, e quem sabe no caminho alguém compraria ao menos uma de suas pérolas. Mas, é claro, só encontrou porcos fantasiados de ovelhas e apascentados por lobos; quem jamais apreciaria a beleza de um grãozinho de areia. São imundos aos olhos de Faraó e devem comer em mesas separadas!

Quão imensurável dor o ser condenado ao Hades por quem lhe dera à luz; quem ao seio amamentava a esperança de um Hierofante. O peso cármico de muitas encarnações desperdiçadas na opressão da fé, mas que por fim vê que era isso o que deveria ser. É como ser empalado pela boca e ter que sentir isso várias vezes à noite. É como aprender o valor da liberdade contemplando a própria face no outro lado da moeda.

Oh, Arão, põe o véu depois de adorar o sagrado Bezerro de Ouro! Tua face brilha como Rá e Moisés não pode olhar-te nos olhos! Então a candeia encontrou o seu lugar debaixo do alqueire, onde brilha eternamente sem ser tumultuada pelas crianças.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Neblina ao pôr do Sol

Sentiu um coração de raios atravessar suas folhas verdes. A neblina acariciáva-lhe as raízes e disfarçava seu reflexo sobre lago.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Segredo de Ulric

[…]Enquanto entrava na arena, pensava se deveria, realmente, estar naquele lugar. Seu coração acelerava e seus pensamentos se perdiam a cada passo. Uma gota de suor lhe escorreu pelo rosto, uma águia desceu rasante no céu e os gritos da multidão, que o aguardava, ecoaram como um trovão. Não havia volta. Já estava no centro da arena, onde seu oponente o esperava.

Era uma manhã nublada quando o jovem Ulric pôde, pela primeira vez, pisar na arena que fora montada para o festival de outono. Chegara a hora em que os estudantes de artes marciais do reino demonstrariam suas habilidades de combate, o que revelaria aos seus mestres se estavam aptos à seguir para o próximo nível de treinamento.

Ulric era membro da academia de armas. Escolhera treinar a arte da espada, cujo mestre era Oldegar, antigo comandante da guarda real. Agora lhe fora dado o direito de participar do festival, como um guerreiro, tendo a chance de provar o quanto suas habilidades haviam evoluído. O jovem era alto, possuía braços e pernas finas que não demonstravam muita força; contudo, ao contrário de seu corpo, possuía um rosto de traços fortes, cabelos escuros, longos e lisos, que mantinha sempre trançados.

Aguardava o momento em que sua luta começaria, trajando uma cota de malha polida, um manto cinza preso à cintura com uma tira de couro. Usava manoplas de aço negro e carregava consigo uma espada longa e um escudo redondo de madeira. Em seu manto e escudo estava gravado o símbolo da academia de armas, uma espada que atravessava a cabeça de um tigre branco sobre um campo azul marinho. Sentia orgulho de usar este símbolo.[...]

terça-feira, 25 de maio de 2010

Trecho do conto "Nunca se sabe de quem vai amar"

(...)Lá estava um homem de pé, concentrado ele olhava fixamente cada movimento de cada uma das crianças. Sua aparência de "bom moço" tranqüilizava algumas poucas pessoas que passavam pela esquecida rua.
Seu rosto duro com suas sobrancelhas grossas, pouco a pouco iam se sensibilizando com a trágica cena que o mundo expunha como uma arte baseada em humor negro.
Alí ele ficou parado, por quase quinze minutos contemplou e lembrou-se de muitas coisas que ja haviam passado por sua vida.
Uma das crianças acorda incomodada coma sensação de estar sendo observada. Maltrapilha, rota e ainda sob os efeitos alucinógenos que a droga lhe causara disse: - Procura o que tio?
O homem nada respondeu, mas sua reação foi imediata, logo seu rosto endureceu e tornou-se severo outra vez. Achando um absurdo aquele pedaço de gente ter dirigido-lhe a palavra daquela forma.
- Como é que é tio, vai querer alguma coisa? Te dou uma bela chupada por trinta Reais, é isso o que quer?
O homem fixa os olhos, respira fundo e se move dando um pequeno passo. Ele teve vontade de fazer alguma coisa, mas não se sabe o motivo, ele nada fez. Emitiu o som de um pigarreio e saiu deixando a garota em paz. Esta voltou a se aninhar entre os amigos e adormeceu com a sensação estranha de não saber se era realidade ou fantasia. Maria das Graças não levou mais nada em consideração e adormeceu profundamente.(...)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Aura Lunar

A Lua emanava uma aura que prescrevia uma noite banhada com sangue. O neófito foi o único capaz de sentir, seu último suspiro estava próximo.